domingo , abril 22 2018
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Como e onde cortar custos em tempos de crise

Grande parte das empresas identifica a necessidade de corte de custos mais tarde do que deveria. O ideal é que os cortes aconteçam assim que houver um desequilíbrio entre receitas e custos operacionais, e não apenas quando o dinheiro começar a desaparecer.

“Demissões, por exemplo, muito comuns em tempos de crise, antes de aliviar o fluxo financeiro geram pressão adicional sobre o caixa. Daí a importância de identificar a necessidade de cortes o quanto antes, e fazer isso de forma planejada. Há outros exemplos de gastos associados a desmobilização, como multas e obras em caso de mudança para um imóvel menor, quebras de contrato com fornecedores e aquisição de softwares para automação de processos operacionais”, diz Mauro Medeiros, CFO do Grupo Múltipla, especializado em assessoria tributária, contábil e financeira.

Despesas vêm primeiro, receitas depois

Se houver uma frustração repentina de receitas, é comum que isso só seja identificado quando a despesa correspondente já tiver sido comprometida, não havendo mais como voltar atrás. Por exemplo, no caso de uma empresa prestadora de serviços, os funcionários são alocados, o serviço é prestado, o faturamento é realizado e o pagamento é quitado semanas depois. O período entre a geração da despesa e o recebimento da receita associada pode chegar a 90 dias.

“É fundamental que a empresa consiga enxergar seus dados financeiros tanto sob o ponto de vista de caixa quanto o de competência. Assim, consegue-se antecipar desequilíbrios entre despesa e receita bem antes de terem efeito no saldo bancário”, explica Mauro Medeiros.

Inadimplência, uma grande vilã

Pior do que ter poucos clientes é ter clientes que não pagam. O controle rígido das faturas a receber e a existência de processos bem definidos de cobrança são fundamentais para que a inadimplência seja estancada o mais cedo possível. Valores não recebidos de clientes comprometem diretamente parte do lucro da empresa, e a gestão correta dos recebíveis é imprescindível.

Medir para melhorar

“O fiel registro de receitas e despesas, pagamentos e recebimentos é o primeiro passo. Produtividade, rentabilidade e diversas outras variáveis operacionais precisam ser constantemente medidas e avaliadas. É preciso ter visão clara do que são custos operacionais e custos administrativos. Os indicadores precisam ser medidos por unidade de negócio, por equipes/departamentos, por região, entre outras dimensões”, diz o CFO do Grupo Múltipla.

Onde cortar, então?

Para Mauro Medeiros, as principais dicas são:

  • Separar bem os custos operacionais dos não operacionais (administrativos, comerciais, marketing…);
  • Ter o registo e o controle adequado dos números de cada unidade de negócio ou produto;
  • Potencializar a gestão: usar ferramentas de software e processos que permitam acompanhar tudo o mais em tempo real possível;
  • Garantir que a margem de cada unidade de negócio e produto se mantenha em patamares mais elevados possíveis e nunca abaixo de uma meta minimamente aceitável;
  • Livrar-se de processos e produtos complexos demais, que geram ruído junto aos clientes e/ou aos funcionários;
  • Garantir que cada unidade de negócio e produto traga uma margem mínima desejada;
  • Não deixar de investir nas áreas de marketing e comercial;
  • Ter os parceiros de negócios certos: nem sempre funcionários, fornecedores, parceiros e redes de distribuição mais baratos trarão os melhores resultados;
  • Olho nos impostos: o governo leva a maior parte da riqueza produzida pelas empresas. Gestão contábil e tributária inadequadas inviabilizam qualquer negócio, por mais rentável que seja;
  • Focar no curto prazo, sem perder de vista o longo prazo. Comparar os números atuais com os do ano passado. Considerar a inflação do período nas análises. Utilizar o CDI como indexador dos investimentos.

 

 

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