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Como identificar se um negócio está indo mal

São Paulo, SP, BRASIL 06.06.2016 : Arthur Lopes . (Foto: Julia Rodrigues)

Dados da Boa Vista SCPC apontam que os pedidos de falência caíram 15% no acumulado do ano (de janeiro até abril de 2017) em relação ao mesmo período de 2016. As falências decretadas também recuaram 1,6%, enquanto para os pedidos de recuperação judicial e recuperações judiciais deferidas houve quedas de 28,3% e 18,5%, respectivamente. Para evitar que uma empresa feche as portas, é fundamental saber reconhecer quando o negócio está afundando.

Em entrevista ao Portal Dedução, o consultor Artur Lopes, especialista em gestão de crises e sócio da Artur Lopes & Associados, afirma que identificar que a empresa está em crise é o primeiro passo para evitar a falência do negócio. “Uma vez que o empresário entende que está passando por esse momento é necessário ter firmeza para mudar a situação”, enfatiza.

Para se recuperar, a empresa deve buscar ferramentas e conhecimentos que não possui no início da turbulência; precisa também procurar ajuda para uma intervenção rápida, de maneira a se reorganizar com mudanças operacionais estratégicas; buscar capital novo, além de alongar o passivo e diminuir a sua estrutura. “Assim, será possível se manter no mercado e voltar a produzir resultados de maneira sustentável”, avalia Artur Lopes, na entrevista que segue.

É possível identificar quando um negócio está afundando?

É possível sim. Os “sintomas” da crise são a ausência de recolhimento de impostos, o aumento do endividamento bancário, o atraso no pagamento dos fornecedores e, numa última escala, o atraso no pagamento dos salários. Se algum desses eventos estiver presente na vida da empresa, com certeza há uma crise.

O que fazer para evitar esta situação?

Uma vez que o empresário entende que está passando por esse momento é necessário ter firmeza para mudar a situação. Uma empresa, quando começa a experimentar turbulências, precisa trazer capital novo, alongar passivo e diminuir a sua estrutura. É preciso buscar ferramentas e conhecimento que não estavam disponíveis no momento em que a crise se instaurou. Deve procurar ajuda que lhe propicie uma intervenção rápida e precisa de modo a se reorganizar com mudanças operacionais e estratégicas. Assim, será possível se manter no mercado e voltar a produzir resultados de maneira sustentável.

Especialistas podem ajudar uma empresa que está em maus momentos?

Normalmente, quando o mal está alastrado, somente uma intervenção externa pode resolver. O mercado não vê razões para continuar a conceder crédito para uma gestão que trouxe, ainda que involuntariamente, a empresa para um cenário de crise. Somente o auxílio externo é capaz de atrair novos capitais e financiar o capital de giro para normalizar as atividades.

Quais são as coisas mais importantes que uma empresa em crise deve fazer?

Uma empresa em crise necessita de um fluxo de caixa bastante assertivo e de um programa que, simultaneamente, atraia capitais, alongue o passivo e diminua a estrutura.

Podemos afirmar que, em momentos de incertezas econômicas, todo cuidado é pouco?

Sim, cada passo deve ser medido e planejado. Com a instabilidade na economia brasileira, os gestores precisam redobrar a atenção sobre suas empresas.

Hoje, com as novas tecnologias, produtos e serviços fiquem ultrapassados muito rapidamente. É importante que os empresários estejam sempre flexíveis a mudanças?

Não há dúvidas. O ambiente econômico foi alterado pela modificação no fechamento de negócios e mesmo por processos de consolidação de mercado, sejam eles no âmbito financeiro e nos grandes players de fornecimento de matérias primas. Nesse novo mundo é fundamental, não somente para a empresa em crise, mas para todas as empresas manterem-se alinhadas com as novas tecnologias adotando-as no seu cotidiano.

E o que dizer dos empréstimos? Se as vendas andam mal e os serviços não estão sendo mais procurados como antes, o senhor aconselha ao empreendedor “tapar buracos” fazendo empréstimos?

O capital de giro deve, necessariamente, ser preservado e, desse modo, ao contrário de “tapar buracos”, o empresário deve dedicar-se a “evitar buracos”. Isso somente pode ser feito com o tripé mencionado anteriormente e que reside no alongamento do passivo, diminuição da estrutura e na atração de dinheiro novo, não para cobrir passivo, mas para dar escala a produção e, assim, reduzir custos.

Quais são as principais medidas “impensadas” que podem afundar uma empresa?

Há um clássico entre as empresas que entram em crise. Muitas delas investem na “sede própria”, sendo comum que todo o capital de giro da empresa acaba sendo imobilizado nessa aventura. Além disso, há muitas companhias que experimentam dificuldades por fazer investimentos ou aquisições mal planejadas.

Entrevista: Danielle Ruas

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