terça-feira , janeiro 22 2019
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Especialista dá dicas de como planejar os investimentos em 2019

O ano de 2019 já começou e, mesmo que a mudança de governo não acarrete em uma transformação imediata no cenário econômico e fiscal brasileiro, muitas pessoas, físicas e jurídicas, já começaram a refletir e programar suas finanças para o período. Seja para quem já investe ou para quem está começando é importante ficar atento às atualizações do mercado.

Neste sentido, em entrevista ao Portal Dedução, Pedro Paulo Moraes, pós-graduado em Gestão de Projetos e Engenharia Financeira pela Poli-USP, sócio da Organica e especialista em investimento de fundos de Private Equity e Venture Capital, dá dicas para que as pessoas saibam administrar seu dinheiro. Para ele, este é o momento propício para saber se planejar financeiramente, “e, para isso, uma coisa é essencial: saber investir”.

Acompanhe:

Por que é importante se planejar financeiramente?

O planejamento financeiro funciona como uma bússola para qualquer empresa, seja ela de qual estágio de maturidade for. Uma vez planejada a rota para o ano seguinte, o acompanhamento indica o quão perto ou longe a empresa está dos seus objetivos e, se necessário, sinaliza os ajustes a serem executados, desde financeiros (diminuição dos gastos e/ou aumento das receitas) ou mesmo estratégicos (melhoria no produto, redefinição das personas, etc.).

O planejamento é válido tanto para as pessoas físicas quanto para as jurídicas?

O planejamento financeiro serve para ambos, mas cada um tem sua particularidade. No caso das empresas, o planejamento auxilia na condução da estratégia equipe comercial, ajustes de fluxo de caixa (contas a pagar, contas a receber e giro de estoque) e necessidades de investimentos de forma geral. Já para as pessoas, o planejamento financeiro tem um caráter mais doméstico, mostrando o quanto entra e sai de caixa ao longo do mês e quanto isso impacta no consumo de cada um. Existe um fator importantíssimo no planejamento financeiro que serve para ambos: o objetivo. Tendo um objetivo claro, como faturamento, índice de lucratividade (para empresas) ou compra de uma casa, quitar dívidas com cartão de crédito (para pessoas físicas), o planejamento se torna um fator motivador em busca dos resultados e, consequentemente, o engajamento é muito maior. Há estudos que mostram que metas e objetivos aumentam em 15% o engajamento daqueles que buscam algo concreto.

Poupar dinheiro é uma tarefa fácil?

Poupar dinheiro não é tarefa fácil, definitivamente. O norte-americano Richard Thaler, vencedor do Prêmio Nobel de Economia em 2017, desenvolveu a teoria da contabilidade mental, explicando como as pessoas simplificam a tomada das decisões financeiras, também conhecida como economia comportamental. De uma maneira bastante contundente, Thaler elaborou uma tese mostrando que os gastos tendem a ser compulsivos e irracionais, associado à falta de autocontrole. Dessa forma, existe uma correlação muito forte entre economia e psicologia, dificultando a racionalidade na tomada de decisão. Daí o processo de poupança ser tão difícil.

Na prática, o que é o planejamento financeiro de uma empresa?

Planejamento financeiro nas empresas, na prática, é executar o planejamento propriamente dito divulgado a responsabilidade a todos os colaboradores, desde os líderes até a última linha de atuação. Empresas que não compartilham metas e objetivos financeiros não conseguem entregar os resultados planejados. Colaboradores engajados com o direcionamento trazem ideias e resultados financeiros importantes para o cumprimento desses propósitos. Sem isso, dificilmente as empresas conseguirão trazer ganhos financeiros.

O povo brasileiro vive um grande contraste: apesar de ter conhecimento que a boa gestão do seu dinheiro é essencial para atingir uma vida equilibrada, as pessoas, em geral, não têm o hábito de cuidar das finanças. É isso que mostram os dados de uma pesquisa recente elaborada pelo SPC Brasil e CND. Segundo informações dos dois órgãos, 45% dos brasileiros não controlam as próprias finanças, 59% admitem que sentem dificuldade em cuidar do próprio dinheiro e 57% dos entrevistados têm dificuldade para se planejar financeiramente com antecedência. Qual sua opinião sobre isso?

A base da maioria dos problemas da população tem alguma relação com a (falta de) educação. Mais especificamente, países desenvolvidos tratam o tema “Educação Financeira” como uma matéria tão importante quanto Matemática ou História. Além disso, os juros no Brasil são os mais exorbitantes do planeta, o que naturalmente dificulta a tarefa de organização pessoal. Por fim, a população brasileira tem alguma dificuldade cultural que impede a disciplina. Países como a Alemanha, por exemplo, possuem uma população extremamente disciplinada, que faz com que qualquer tomada de decisão seja analisada com critério. No Brasil, a população tende a ser mais irracional e analisar as consequências somente após o aparecimento das mesmas.

E, para quem está no vermelho, quais são seus conselhos?

Para quem está no vermelho, a primeira coisa é colocar no papel tudo que entra de dinheiro e tudo o que sai ao longo do mês, sempre seguindo a ordem cronológica. Um dos princípios da Contabilidade é o do conservadorismo, cuja máxima é “tudo o que tenho a pagar eu vou cumprir, mas nem tudo o que vou receber irão cumprir”.

Qual ensinamento podemos tirar deste princípio contábil?

Isso nos ensina que o planejamento deve considerar sempre o pior cenário, para que não sejamos pegos de surpresa. Depois de colocado no papel, deve-se analisar os descasamentos de fluxo de caixa, que na prática são os períodos em que o saldo entre entradas e saídas fica negativo. Esses períodos são os mais perigosos, pois sem que saibamos o banco nos empresta dinheiro para cobertura de saldo e nos cobra um valor altíssimo de juros. Para resolver isso, é interessante negociar datas alternadas de pagamentos para que os saldos ao longo do mês estejam sempre positivos. Exemplo: a conta do cartão de crédito vence todo dia 12, mas o salário cai somente no dia 15, logo deve-se negociar com a operadora do cartão uma nova data para o pagamento da fatura, preferencialmente para o dia 16. Por fim, quem estiver endividado com cartão de crédito ou cheque especial deve trocar de dívida urgentemente. De forma prática, há opções de linhas de crédito cujos juros são bem mais baixos. Assim, busca-se uma dívida mais barata e com prazos mais longos para pagar. Todo dinheiro emprestado deve ser utilizado para quitar as dívidas do cartão ou cheque especial, nunca se esquecendo de colocar na lista do fluxo de caixa qual a data do mês seria melhor o banco cobrar a parcela.

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