terça-feira , janeiro 22 2019
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Falta investimento na Contabilidade Pública, diz Eliseu Martins

Por Katherine Coutinho

Foto: Paulo Prendes

Referencial na Contabilidade brasileira, em especial no meio acadêmico, Eliseu Martins acredita que ainda há muito a ser feito para melhorar o ensino da Contabilidade no País. Nascido no interior de Minas Gerais, no município de Albertina, o docente foi diretor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo – FEA-USP de 1998 a 2002, é detentor da medalha “Mérito Contábil João Lyra”, outorgada pelo Conselho Federal de Contabilidade – CFC, em 2008, e autor de diversos livros e artigos sobre o setor.

Eleito contabilista emérito pelo Sindicato dos Contabilistas de São Paulo – Sindcont-SP, uma das mais antigas entidades de classe do Brasil, Eliseu Martins tem 46 anos de magistério, está formalmente aposentado, mas ainda atua como docente da USP. Com sua grande experiência na área, o professor percebe que parte dos docentes está procurando conhecer mais a fundo as Normas Internacionais de Contabilidade – IFRS’s – implantadas no Brasil a partir de 2007 – e melhorar a sua capacitação, a fim de passar o conteúdo atualizado para os estudantes. No entanto, boa parte das pessoas ainda tem certa relutância em aprender normas novas e se prende ao tradicionalismo.

“Estamos aquém do que deveríamos estar. O campo da Contabilidade tem deixado a desejar em termos de capacitação e qualificação. Participei da revolução da Contabilidade quando entrou a lei das S.A.s, na década de 70, e vejo algo semelhante agora. Ainda vai levar alguns anos para que, tanto o corpo docente quanto os profissionais, se adequem às novidades.”

Segundo Martins, essa deficiência no aprendizado atinge empresas privadas e órgãos públicos, sendo pior na Contabilidade pública, que não tem recebido no Brasil a atenção que deveria ter. Além disso, as mudanças necessárias dependem de alterações significativas de sistemas, de cultura e de legislação e, sem a atenção devida, essa evolução não ocorre. É fundamental que ela aconteça tanto no campo técnico quanto no político.

“O mundo caminha para que a Contabilidade pública seja semelhante à privada. Mas, neste momento, os órgãos públicos só se preocupam com o orçamento e a realização de entrada e saída de caixa. O resto do patrimônio fica relegado ao segundo plano. É muito diferente o material que você extrai de uma empresa privada, que faz toda a contabilidade, e de um órgão público”, explicou o professor.

O profissional, homenageado com a Ordem do Mérito Contábil em 1995 pelo Conselho Regional de Contabilidade do Estado de São Paulo – CRC SP, afirma que a própria legislação não dá base para que haja o avanço necessário.

Eliseu Martins também é membro do Conselho Consultivo da Comissão de Valores Mobiliares (CVM), entidade que dirigiu entre os anos de 1985 e 1988, quando implantou a Correção Monetária Integral no Mercado de Capitais no Brasil, modelo exportado e adotado por diversos países e organizações.

Com o conhecimento de quem representou o Brasil junto à Organização das Nações Unidas (ONU) como integrante do Grupo Intergovernamental de Especialistas em Contabilidade e Informação entre 1987 e 1990, Martins defende a necessidade de uma reforma tributária no País. “A reforma é urgente, pois se trata de um dos maiores estrangulamentos que existem na economia brasileira. Ela não foi realizada até hoje não por falta de conhecimento, pois temos grandes especialistas no assunto aqui. O problema é que cada Estado defende o seu território, em vez de pensar no que é melhor para o Brasil como um todo”, disse.

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