sábado , julho 21 2018
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O Contabilista deve usar os cálculos digitais a seu favor sem medo dos avanços tecnológicos

Um artigo recente do especialista em assuntos tributários, Carlos Miyahira, da Grounds Consultoria, no Portal Dedução, assegurou que a profissão de Contador não irá acabar mesmo diante do avanço tecnológico que permite a um software realizar cálculos e analisar números de modo simples e rápido. A repercussão foi grande e alguns especialistas questionaram a informação com base em um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Oxford, no Reino Unido, dando conta que entre todos os trabalhos suscetíveis à informatização, a Contabilidade tem 97,6% de chance de ser automatizada em um futuro próximo. Diante desses apontamentos levamos o assunto novamente ao consultor Carlos Miyahira e perguntamos:

Quais os argumentos que o levam a defender a tese de que o fator humano irá se sobrepor aos avanços tecnológicos na Contabilidade?

O fator humano será essencial, como é hoje, pois a máquina pode processar milhares ou milhões de lançamentos contábeis e fazer diversos cruzamentos, inclusive isso é feito atualmente pela nossa própria Receita Federal. A inteligência artificial vem para auxiliar e contribuir para que possamos ter processamentos e análises iniciais que são apenas confrontos “frios” de uma massa de informações. Entretanto, jamais o fator humano poderá ser desconsiderado, pois sempre foi e sempre será necessário criticar e interpretar os dados processados para que esses dados possam refletir na contabilidade. Ainda mais agora, em que a contabilidade brasileira está em linha com a contabilidade internacional, com utilização do princípio da essência sobre a forma, o julgamento profissional se faz mais necessário.

De todo modo, a profissão de contabilista terá que se adaptar a essas mudanças. Quais deverão ser os fatores preponderantes das adaptações?

Creio que funções mais operacionais serão as que mais sofrerão nesse processo. Exemplo: um profissional que apenas faz os lançamentos de notas fiscais de venda ou de compra, por exemplo, pode ser facilmente substituído pelo uso da inteligência artificial. Ou seja, todo profissional precisará desenvolver novas habilidades para não ficar defasado e fora do mercado.

A máquina poderá substituir o papel do Contador, na hora de uma auditoria ou de uma perícia, por exemplo?

Substituir não, pois sempre será necessária uma análise criteriosa das informações que são processadas. Porém, auxiliar na execução de procedimentos que devam ser executados, eu não tenho dúvida que os softwares ajudarão e poderão até substituir profissionais com função mais operacionais. Mas creio também, que o ganho na compilação de informações, que pode ser gerado utilizando ferramentas de inteligência artificial, poderá contribuir de forma bastante eficaz para desenvolver os trabalhos do Contador.

Enfim, na sua análise, como estará o mercado de trabalho na Contabilidade para daqui dez anos, por exemplo?

Creio que o mercado continuará a ser promissor, porém, é preciso que os Contadores possam atuar mais como executivos no que tange a analisar, interpretar e contribuir de forma eficaz para o gerenciamento do negócio, ao invés de apenas pensar em processar a contabilidade para atender a necessidade pontual de acionistas, credores ou do próprio Fisco, no que tange apenas ao cumprimento de obrigações acessórias.

Para finalizar, valerá a pena ao jovem estudante seguir os cursos de formação do Contabilista em nível superior? Qual o futuro que o senhor observa para essa carreira?

Em linha com a resposta anterior, creio que vale a pena os jovens ingressarem no curso de Ciências Contábeis, porém, é preciso que desenvolvam habilidades de análise crítica das informações que são geradas, ao invés de serem apenas profissionais que processam os débitos e créditos, sem saber quais impactos trarão para as Demonstrações Financeiras das empresas em que venham a atuar. O que eu quero dizer é que, no final do dia, o mercado tende a ficar mais competitivo e exigente em termos de capacidade analítica dos profissionais, resultando na redução de cargos para atividades meramente operacionais.

Da redação, pelo jornalista Geraldo Nunes

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