domingo , outubro 21 2018
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O futuro dos negócios na linha de código dos desenvolvedores

Por Jean Christian Mies, Presidente da Adyen para a América Latina

Quando falamos de desenvolvedores (ou devs), estamos tratando de uma profissão que ganhou força recentemente no mercado de tecnologia, que viram nos códigos e nas linguagens de programação – como HTML, CSS, SQL, Python, Java e C#, entre outras – uma forma de criação e de comunicação universais. Foi a partir das linhas de códigos escritas por eles que grandes revoluções digitais transformaram a indústria de software de maneira irreversível.

O motivo do sucesso desta profissão não é uma surpresa. Desenvolvedores são as mentes criativas por trás não apenas da programação de sistemas e apps, mas também da identificação de demandas por inovação e da tradução de objetivos de negócios em produtos ou serviços. Estes profissionais estão revolucionando diferentes indústrias, do entretenimento ao transporte, da agricultura ao mercado financeiro. A tecnologia impactou todos os mercados, e os desenvolvedores foram o pilar fundamental desta transformação.

Reconhecida como uma das profissões mais promissoras do século 21, os desenvolvedores são agora peça essencial para o sucesso de empresas de tecnologia, das startups às gigantes internacionais. Somadas às empresas mais tradicionais, que dão agora seus primeiros passos em direção à digitalização, a caça por talentos na área tem se tornado acirrada.

Se sua empresa é baseada em tecnologia, sente cada vez mais a pressão da velocidade de entrega e de atualizações constantes. Em consequência, a necessidade de atrair os melhores profissionais escala exponencialmente. Mas, o que torna uma empresa uma opção atraente para desenvolvedores trabalharem e crescerem profissionalmente?

O que as empresas estão oferecendo?

Tradicionalmente,  a rotina de um desenvolvedor  envolve sequências de especificação, justificativa, aprovação e testes. Em alguns casos, estes processos estão cheios de entraves e podem levar de semanas a meses, resultando em poucos ciclos de lançamentos por ano. Este cenário não é benéfico nem para a empresa, que precisa de velocidade; nem ao desenvolvedor, que precisa de desafios e flexibilidade. Por isso, muitas empresas têm sido motivadas  a oferecer mais autonomia – e consequentemente mais responsabilidade – às equipes de DevOps.

Companhias que nascem com o foco em desenvolvimento tecnológico valorizam um fluxo de trabalho mais livre, com menos instâncias de aprovação e mais autonomia para inovar. Fintechs são empresas com tecnologia em seu DNA e, por isso, investem de forma maciça na contratação de bons desenvolvedores. Elas trabalham na contramão do mercado financeiro tradicional, que costuma ser rígido, pouco flexível e com baixos investimentos em atualização de sistemas e criação de novas tecnologias. Empresas como a processadora de pagamentos Adyen ou o banco digital Nubank, por exemplo, ganharam destaque nos últimos anos ao quebrar as barreiras do mercado financeiro no Brasil e mostrar para empresas e seus consumidores  que os serviços podem ser muito mais ágeis, inteligentes e personalizados.

Isso requer deixar de lado modelos defasados de cascata, em que cada fase precisa ser completamente finalizada para se iniciar outra, da análise de requisitos até a integração e finalização do software – processo que pode levar meses e resultar em produtos obsoletos diante da rápida mudança da necessidades dos usuários.

Na Adyen, o trabalho dos desenvolvedores se baseia nas demandas do mercado e começa com o monitoramento das funcionalidades em operação. Existem também equipes dedicadas à manutenção de sistemas e sua constante iteração, em poucos dias ou semanas. Este é um exemplo do método de desenvolvimento ágil, em que cada iteração funciona como um projeto independente, com planejamento, análise de requisitos, projeto, codificação, teste e documentação. Nesse processo, um desenvolvedor tem autonomia de tocar um projeto, submeter à revisão de um colega e já colocá-lo em prática. O objetivo é ter flexibilidade e agilidade para desenvolver novas soluções, muitas vezes de forma pioneira, principalmente em um mercado com regras complexas e necessidades de consumo que mudam rapidamente, como o financeiro.

Seja no mercado financeiro ou em qualquer outro setor da economia, devs são o alicerce para a digitalização. Logo, o número de empresas procurando por profissionais deve se tornar cada vez mais abundante nos próximos anos. Dados da Deloitte apontam que, em 2019, espera-se que cerca de 1,5 milhão destas vagas poderão ficar sem candidatos no Brasil. O aumento da procura tem aquecido um mercado que deve formar 26 milhões de devs até 2022. Não à toa, um levantamento recente da Revelo mostrou que os desenvolvedores possuem os salários mais altos do mercado de tecnologia no Brasil.

Para se tornar uma empresa “sexy” para estes profissionais, é preciso pôr nas mãos do desenvolvedor o poder de escolher seus métodos de trabalho, as ferramentas à disposição e o ambiente que mais dialoga com a sua realidade e estimula seu crescimento. Em uma profissão tão disruptiva, oferecer o trivial não é opção. A empresa contratante deve ser tão criativa quantos eles para atrair, reter e desenvolver esses talentos fundamentais para o desenvolvimento dos negócios.

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