terça-feira , janeiro 22 2019
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Um olhar positivo sobre o Brasil

Por Paloma Minke

Segundo o economista e ex-ministro da Fazenda, Antônio Delfim Netto, “a atual crise é momentânea e nem é tão trágica assim, visto que o País já promoveu, nos últimos anos, mais de 50 ajustes fiscais. Nós não temos competência para destruir o Brasil”, afirma o economista de 87 anos, em entrevista exclusiva ao Portal Dedução.

O pacote de ajustes fiscais, segundo ele, é essencial para compensar o déficit de 2014, que foi ocasionado em virtude dos interesses na reeleição da presidente Dilma Rousseff. “Em dezembro de 2013, o déficit público brasileiro era de 2,5% enquanto que, um ano depois, esse índice estava em 6,7%. Ou seja, foi um ano em que, deliberadamente, os gastos foram ampliados e as receitas diminuíram, tudo em prol da reeleição. É fundamental consertar essa situação”, avalia.

Para Delfim, o controle de despesas do País é uma questão histórica: “Quando D. Pedro II tomou posse, aos 14 anos, disseram para ele: ‘Agora a situação está tão preta que você terá 18 anos. Estamos decretando aqui a sua maioridade’. E o fato é que um menino de 14 anos assumiu o Império. Em seu  primeiro discurso, ele disse: ‘prometo a vocês que controlarei as despesas’. Desde então, todo governo que entra diz que vai controlar a despesa”, ironiza o economista.

INFLAÇÃO E EQUÍLIBRIO FISCAL
Para o economista, o equilíbrio fiscal é o pai de todos os equilíbrios e permitirá que o País adote uma política econômica, cambial e salarial adequada. “Ninguém vai combater a inflação simplesmente aumentando juros. Inflação é uma coisa muito complicada e ninguém vive só de opinião e de expectativas. Em meu parecer, o Banco Central está correto: a inflação tem uma alta probabilidade de ficar em torno da meta (4,5%) no começo de 2017, mas, para isso, é necessário fazer o ajuste”, diz Delfim.

CONTROLE DE PREÇOS

“A retenção dos preços dos combustíveis não ajudou em nada e talvez tenha até retardado o crescimento na faixa de R$ 60 bilhões, um dos fatores mais importantes para a destruição da Petrobras”, conclui, avaliando que atualmente não há um entendimento sobre como funciona a economia do Brasil. “É uma política dominada por uma porção de ideias equivocadas e é importante dizer que isso não é culpa somente do Ministério da Fazenda, mas sim do governo, que tem uma ideologia de intervenção exagerada”. Na opinião de Delfim, o governo tem de ser forte, constitucionalmente controlado e capaz de regular os mercados, mas não de substituí-los.

DESINDUSTRIALIZAÇÃO

A estagnação do PIB nos últimos anos, na concepção do ministro, deve-se a um contínuo processo de desindustrialização, além da perda de espaço do País nas exportações industriais mundiais. “Entre 1960 e 1980, havia um crescimento de 15% ao ano e, atualmente, representa 0,6% do mercado internacional, devido à política cambial adotada no País nas últimas décadas”.

CONTAS PÚBLICAS
Para Delfim Netto, o equilíbrio das contas públicas exigirá o aumento de impostos, corte de despesas e revisão das estruturas do Estado. “Não tem outro jeito. No fundo, 90% das despesas do orçamento são indexadas e não temos nenhum controle sobre essas indexações. Estamos chegando ao nível de 1964, quando as despesas indexadas eram 115% da receita. Ou seja: iniciava-se um novo orçamento com dívidas”, alerta o ministro. “É preciso fazer um orçamento de base zero, analisando cada projeto e produto, exclusivamente, fazer uma pesquisa para saber qual é a taxa de retorno. Enquanto não fizermos isso, continuaremos “murchando” ou crescendo insignificativamente”, afirma.

 

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